TRANSPORTE DE PEIXES, PROBLEMAS E SOLUÇÕES

 

Euclydes Ruy de Almeida Dias1
Lídia Sumile Maruyama2

Para efetuar o transporte de peixes são necessários cuidados especiais para evitar problemas com mortandade. Isso porque se o peixe estiver alimentado, com a captura fica estressado, defecando seguidas vezes, poluindo assim a água do transporte. Como a densidade é grande nos tanques de transporte, a água envenenada por fezes e urina, pode causar mortandade durante a viagem ou pior ainda, os peixes podem morrer quando forem soltos nos pesqueiros, dando uma imagem péssima aos freqüentadores do local.
Após o carregamento, o caminhão, preferencialmente viajando à noite, não deve mais parar, devendo viajar com dois motoristas, pois durante as paradas ou quebra do caminhão, a alta densidade, com os peixes estressados, ocorre canibalismo, onde os peixes costumam arrancar parte da nadadeira caudal e dar mordidas em todo o corpo dos demais, perdendo muito muco por atrito e ocasionando uma série de problemas, A perda do muco faz com que patógenos oportunistas, tais como fungos e bactérias ataquem as lesões, causando mutas vezes mortandade ou feridas de difícil recuperação.
Uma das conseqüências mais comuns é a ulceração dérmica necrótica (UDN), onde as escamas e a pele do peixe vão sendo consumidas, ficando com a musculatura visível, o que causa má impressão aos pescadores, pois os peixes com esse aspecto horrível, continuam a procurar comida sendo capturados. Entretanto, esse peixes podem se recuperar, graças ao grande poder de regeneração que possuem. Quando trabalhamos com reprodução, marcamos os peixes que recebem injeção hormonal, cortando as nadadeiras, diferentemente de um e outro. Assim cortamos parte da caudal dos machos, dorsal, peitoral, ventral ou anal das fêmeas. Após um mês, estão com todas as nadadeiras regeneradas.
O transporte de alevinos já causa menos problemas, mas devem também ficar em jejum obrigatório antes do transporte por um ou dois dias, colocados em sacos plásticos de 60 litros, com 1/3 de água e 2/3 de oxigênio numa densidade de 50 alevinos para 3 litros de água. Devido ao stress sofrido durante a captura, os alevinos poderão ficar susceptíveis aos agentes patogênicos, portanto, para medidas profiláticas, a introdução de sal na água de transporte é recomendado na proporção de 3 a 5 gramas de sal por litro de água. Efetuamos vários transportes de alevinos de tainhas para Alemanha, colocando o saco plástico em isopor, com uma viagem de três dias e obtivemos 100% de sobrevivência. Nesse caso o transporte final foi feito por via aérea sendo utilizada cabine pressurizada. Os peixes ao serem soltos em novo local devem ter a temperatura da água igualada para que não sofram choque térmico.

Referências Bibliográficas: KUBTZA, F. 1998 Principais Parasitoses e Doenças dos Peixes Cultivados. Campo Grande - MS, 65 p. OSÓRIO, F.M.F.; ;MELO, J.S.C.; KULIKOSKY, J.M.; KULIKOSKY, R. Manual Programado de Piscicultura. Sudepe. Brasília - DF, 522 p.

(1) Pesquisador Científico - Instituto de Pesca - APTA - SAA - SP
(2) Bióloga/ estagiária - Instituto de Pesca - APTA - SAA - SP

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